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RAPIDINHAS DA OE
 

Rap 29 -  7/9/2005

Ditador - Rubens –Tema: Orquestra

1 -  Marcelo– m 9,8

2 -  inquieta– m  9,4

 

 

O concerto

 

 Orquestra estranha, aquela. Alguns músicos verdes, de fraque. Outros, de camisola, azuis. O maestro muito alto e pálido, com dentes alvos e pontiagudos, a negra capa sobre a corcunda volumosa. Os olhos sanguíneos. Ao fundo, a grande cortina de seda vermelha. Na platéia, corpos e mentes atentos. Súbito, a campainha; depois, o silêncio; e em seguida, os acordes no ar. Sustenidos. Bemóis. Sétimos. Violinos em desalinho. Trovões nos tímpanos.

E então o sangue em cachoeira dos ouvidos da platéia. Em segundos, todos mortos. Um sorriso nos lábios dessangrados do maestro. Aplausos dos músicos, em pé, para seu regente. Bravíssimo!

Nunca mais a fome.

 

Marcelo

 

**

 

Violoncelo

 

 De uns tempos pra ela cá divagava, ia pelos cantos, em sopros e murmúrios. Pelas tardes desaparecia. Pé ante pé, na sala obscurecida, tirava o violoncelo, luzidio e impassível, da caixa de veludo negro. E o abraçava.

Encostava o rosto em seu braço esguio e escorregava os dedos. A mão empunhando o arco deslizava docemente. Ele gemia entrecortado. Sussurrando bemois abafados ela subia a seda da saia, envolvendo-o, cada vez mais, com as pernas enlaçadas. Sentia a madeira rija lhe tocando o sexo. Ali ficava,lânguida e rítmica até a orquestra espalhar-se toda .

 

Súbito, ele gorgolejava um pizzicato.

Ela lhe dedilhava os segredos.

 

Inquieta

 

Imagem – Juan Genoves



Escrito por inquieta às 21h47
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Rap 28 -  1/9/2005

Ditador Paffo –Tema: Geringonça

1 -  Helena – m 9,6

2 -  Leila – m  9,5

 

 

 

Erro

 O AKG 34 observou a criação sobre a prancha.

- Vai se chamar Homem, disse ao JMC

- Homem - concordou o outro

- Tem possibilidades bastante boas - é capaz de pensar, estabelecer relações, realizar operações sofisticadas como alguns de nós

- Isto é ótimo - retrucou o JMC

- Só tem um problema...

- Problemas sempre existem.. qual é desta vez?

- Emoções.

- Isto é ruim?

- Muito. Incapacita para o trabalho, dificulta relações entre os servos e provoca uma ferrugem insuportável - amor

- Amor?

- Apego a determinados indivíduos escolhidos.

- Destrua.. Não podemos perder tempo com protótipos experimentais delicados

O AKG 34 escondeu os olhos. Não ia deletar. O vírus já o contaminara.

 

Helena

 

**

 

  Necso e Geringonça

 

 Ontem fui ao teatro assistir à Geringonça e lá encontrei Necso. Pode haver nome mais estranho para um homem? Um chiclete cheio de si, com um futuro já pronto aos vinte e oito anos. Assim se revelou no bar ao lado do teatro. Para mostrar sabedoria traduziu em pelo menos quatro línguas o intraduizível titulo da peça. E bebeu tantas que na cama foi traído por sua própria geringonça.

Prudente, recusei qualquer conversa sobre amanhãs. Não, obrigada. Quem vem com tudo delineado só está esperando que o outro se enquadre.

Previsão: Manhã de chuva.

E o número de um cara com futuro programado chamado Necso.

 Decisão: café e livro.

Que dezembro mais inútil.

 

Leila

Imagem – Alexandra Exter



Escrito por inquieta às 21h45
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Rap 27 -  25/8/2005

Ditador - inquieta – Tema – Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

1 -  Eros– m 9,68

2 -  Marcelo– m  9,67

 

 

 

Inocência

 

Aninha estava numa caixa, dentro do armário, no quartinho embaixo da escada.

Mesmo assim escutava as tiras de couros amparadas pela mão e os passos como duas garras pontiagudas fazendo toc, toc,... - a sua procura.

Desta vez Aninha tinha certeza: havia exagerado, o bicho ia pegar.

Não bastasse o fogo, havia desenhado nas paredes, acabado com a reserva de guloseimas da dispensa e geladeira, superalimentado os animais e violado as normas de seguranças e boa educação.

Foi um dos vizinhos que ligou pro seu limite.

Aninha ficou assustadíssima, xingou-o da janela e fugiu.

Escutou o carro estacionando e o bufar da mãe num grito assustador:

    Aninhaaaaaaaa...

Não adiantava correr, não adiantava ficar, o melhor era se esconder. 

 

Eros

 

**

O bicho

 

Daqui de cima conseguimos ver quando o bicho engoliu o homem. Foram insuficientes suas ficâncias e corrências. Dos joelhos aos artelhos, restaram as pernas, partidas pelas  presas plúmbeas do bicho. O sangue ocre cuspido pelos cotos confirmava, a nós, que não há saída possível.

 

Marcelo



Escrito por inquieta às 21h42
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