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RAPIDINHAS DA OE
 

Rap 35 -  19/10/2005

Ditador - Marcelo–Tema: Porta fechada

1 -  Helena– m 9,57

2 -  Leila - UK– m  9,50

 

 

 

Fechando a camisa do nosso amor

 

O primeiro botão foram as mãos segurando o cigarro no limite da ausência

O segundo botão,  teu cabelo, que caia na testa indiferente

O terceiro botão, lábios cerrados, máquina e serpente do não dizer

O quarto botão, teu sexo frio, incapaz de alucinar, mastigar paraísos, explodir estrelas mortas

O quinto botão foi coração trancado. Linha que não permite transgressão.

No sexto botão, eis a camisa. Fechada no pescoço como chumbo.

O sétimo, querido, suas pálpebras - cerradas para sempre

Onde feri.

 

Helena

 

**

 

Margaridas

 

Chegou com flores para enfeitar a casa. Margaridas. Adorava margaridas.  O carro já na garagem era uma surpresa. Caminha pelo longo corredor. A porta do escritório fechada era outro fato inusitado. 

Pelo buraco da fechadura vislumbra mãos e nádegas. Dá a volta na casa, espia pela janela. A boca de Maurício, gulosa, engolia uma língua, seus dedos roçavam um pescoço roliço. Outras mãos abriram seu fecho-éclair e acolheram o membro duro. Ela apertou as coxas, sentiu o líquido descer quente, como há muito não sentia. Maurício, disse num suspiro e seu olhar encontrou o do rapaz, reconheceu o aluno de Maurício. Seu pé vacilou sobre a pedra ao sentir que uma língua lhe lambia as pernas.

Era o cachorro.

 

Leila



Escrito por inquieta às 17h38
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Portaria

 

 

- Entre!

- Como? A porta está fechada.

- Ihh, a chave...São Pedruuu...tem gente chegando.

O velho bonachão caminha arrastando a perna, barba branca até o umbigo. Põe os óculos.

- Preciso consultar o médico de vista - Traz o molho próximo ao nariz: - ah, é esta!, diz enfiando a chave no buraco.

- Quem é? - pergunta ao vulto que surge.

- Irmã Anunciata, responde a diabinha de corpo escultural, que entra seminua, enganando o velho com um pedaço de pano aos ombros.

- Bem-vinda, irmã.

Enquanto o velho explica o regulamento, ao lado dele, seu assistente, o Marquês de Sade, alma purificada em séculos de purgatório, agradece a Deus por não haver no céu médicos competentes.

 

UK

 

Imagem - Banks



Escrito por inquieta às 17h37
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Rap 34 - 12/10/2005

Ditador - Helena –Tema: Visitantes

1 -  inquieta - Leila– m 9,6

2 -  Marcelo– m  9,0

 

 

 

 

Visitante noturna

 

Ela subiu  as escadas pairando, tocando suave o corrimão, perseguindo o rastro dos dedos dele. Atravessou a porta, reconheceu a sala. Sorriu para os livros espalhados, preciosidades de texturas. Imaginou-o debruçado, lendo absorto. Flutuou sussurrando ternuras. No quarto, a luz do abajur, travesseiros esparsos.

Ele  adormecido, na cama alta.

Aproximou-se. Viu os cabelos escuros, as mãos amadas. Corpo de homem derramado, abandonado em lençóis muito brancos. Cuidadosa desenhou a boca macia com os dedos, tocou as têmporas, roçou a pele úmida do sono. Tateou seu macho. Reconheceu seus caminhos. Com delicadeza infinita, as mãos em concha se perderam  entre as pernas dele. Ouviu o gemido. Esfumou-se no ar.

Uma verdadezinha azul!

Quando ele acordou sentiu o cheiro.

 

inquieta

 

**

 

Visita da dama de branco

 

Nas mãos trazia sempre magnólias. Muitas vezes me visitou e em nenhuma delas vi algo que pudesse lembrar uma foice. Só a delicadeza das magnólias. Nunca pude definir o que se esboçava nos seus lábios, um sorriso, uma tristeza, um convite, uma ameaça?

Tantas vezes bateu à minha porta sem, na verdade, nunca ter ousado passar dos degraus da entrada. A não ser ontem, tão bela toda de branco, se aproximou de tal modo que pude sentir seu hálito quente, quase beijou-me os lábios. Implorei que ficasse ou me tomasse pela mão, me conduzisse...Impassível, meneou a cabeça e foi indo, como veio. Nem as magnólias me deixou.

Magnólias também têm seu tempo.

 

Leila



Escrito por inquieta às 17h35
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Visitantes noturnos

 

Quem são vocês que vêem me visitar à noite importunar meu sono com faixas que me prendem os braços e comprimidos e injeções e termômetros enquanto me debato e tento mostrar que os fantasmas estão ali do outro lado da porta a me esperar para que eu vá com eles vocês de branco disfarçando sua maldade atrás dos sorrisos e das gentilezas artificiais enquanto cravam suas agulhas em minhas veias e enfiam os comprimidos pela garganta abaixo os fantasmas riem por detrás da porta me esperando e então durmo novamente até que seja noite outra vez e vocês voltem com suas faixas comprimidos e injeções enquanto ouço o silêncio da espera atrás da porta.

 

Marcelo

 

Imagem - Levitan



Escrito por inquieta às 17h28
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Rap 33 -  5/10/2005

Ditador - UK –Tema: Basta

1 -  Phla– m 9,0

2 -  Rubens– m  8,6

 

 

 

Basta!

 

Acordou com idéia fixa: Basta de viver!

Sempre tivera tudo que lhe desejavam: saúde, paz, felicidade, sucesso. A família nunca lhe faltara; os amigos, cães de guarda velando os trilhos da sua vida, acompanharam cada etapa de suas realizações.

E daí? Um dia acordou com idéia fixa: Basta de viver!

Pegou o que precisava para sua carta de adeus.

Com o lápis, traduziu sua despedida no papel. A borracha apagou, primeiro os pés e as pernas, o braço canhoto, e, órgão por órgão, foi seguindo a sangue frio até os dedos da mão direita, que, em pinça, empunhavam a arma do suicídio.

 

Phlavyus

 

**

 

Morte Súbita

 

"Basta!" Gritou e morreu no meio da calçada. Foi recolhido ao IML.

Até agora, seis dias depois, não reclamaram o corpo. Tudo indica que será  enterrado como

indigente, diz o funcionário asséptico. Dentro da boca do defunto, uma mosca pede socorro.

 

Rubens

 

Imagem - Kandinsk



Escrito por inquieta às 17h27
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Rap 32 -  28/9/2005

Ditador - Leila–Tema: Noturno

1 -  Marcelo– m 9,9

2 -  Paffo– m  9,6

 

Olhos de gato



 Preciso tirar esse peso das pálpebras, essa areia dos olhos: um gole e mais outro comprimido. A estrada some na luz dos faróis, uma cobra negra rebolando à minha frente. Maldita areia nos olhos. Mais um gole.  Preciso tirar a bigorna das pálpebras. A cabeça oscila como uma vara de pesca. Um gole. Preciso. Um gato gigante de olhos de fogo em minha direção. Preciso comprar cebolas para os peixes. Um comprimido. Os olhos do gato estão piscando. A cabeça cai. Preciso. (seis pessoas da mesma família mortas em acidente na 101, envolvendo um Astra de Caxias e uma carreta com placas de Palhoça. A Polícia
Rodoviária acredita que o motorista da carreta tenha dormido ao volante).

 

Marcelo

 

**

 

Vigilante Noturno



 - Dormirás - murmurou a sedutora Fada do Sono ao ouvido do Segurança, iluminado pelas luzes azuladas dos monitores. As pegajosas brumas claras do sono minavam pelos ângulos das paredes, onde espreitavam os seres oníricos, esperando seu momento de invadir a  realidade.
 O café ruim da garrafa térmica fluiu da caneca para a garganta, adiando temporariamente a hora fatídica.

 - Por que te negas alguns minutos de prazer comigo? - insinuou-se ela.

 - Se roubam essa loja, perco o emprego - bocejou ele - e voltarei a ter dívidas.

 - Não queres de deitar comigo?

A sala estava tomada pelo nevoeiro, onde lobrigavam as criaturas sem nome que habitam os sonhos.

 - Amo você - ripostou o Segurança, acordando de vez - mas o sono nunca visita os endividados.

 

Paffo

 

Imagem - Hooper



Escrito por inquieta às 17h26
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Rap 31 -  21/9/2005

Ditador - Phla –Tema: Pedras que rolam

1 -  Leila– m 9,3

2 -  UK– m  9,0

 

 

Fogo

 

Ventava naquele dia em que meu corpo parecia me deixar. Olhei para fora e contemplei o cedro de folhas agitadas. O coqueiro, quase ao lado, permanecia calmo e elegante. Estranhei o fato, se estavam tão próximos, a força que balançava um não deveria balançar o outro?

Aquele parecia um bom dia para morrer, à hora do ângelus. Pensei com menos propósito do que aquele cedro e decidi que o céu cinza combinava com um blues, entretanto coloquei The Doors e pensei no meu doce Frederico. Onde estaria? "Come on baby, light my fire". Soube, então, que ele ia voltar.

 

Leila

 

**

Pedras que rolam

 

Aquela noite queria mais que um beijo ou um aceno no portão. Tentou a moça inutilmente - palavras doces, gestos convidativos, mãos inconseqüentes, todos os ardis. Ao chegar em casa não cabia em si; era um rio represado prestes a explodir comportas. O olhar de caçador descobriu o brinquedo que ganhara numa promoção do shopping: um aro de pedras delimitando o vazio. Experimentou uma, duas, muitas vezes. Apaixonou-se e amou dias e dias. Mas como toda paixão arrefece, agora estão se separando. Ele alega incongruência.

 

UK

Imagem – E. Raymes



Escrito por inquieta às 17h20
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Rap 30 -  14/9/2005

Ditador - Marta –Tema: Constelação

1 -  Marcelo– m 9,75

2 -  Tânia- Paffo – m  9,71

 

 

 

DE COMO UM GENERAL DE DUAS ESTRELAS DE BURKINA FASO CONVENCEU SEUS PARES, DE TRÊS E QUATRO ESTRELAS, A DESISTIR DA IDÉIA DE DECLARAR GUERRA AOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, COM O PRETEXTO QUE, UMA VEZ DERROTADOS, O VENCEDOR RECONSTRUIRIA SEU PAÍS, COMO ACONTECERA NA ALEMANHA E NO JAPÃO.

 

- E se ganhamos?

 

Marcelo

 

***

 

Réus confessos

  O assassino e outros quatro suspeitos, doutores em criminalística, foram  convocados à cena do crime.

  - Encontramos o corpo num quarto sem janelas, trancado por dentro. As câmeras da segurança nada registraram e os cachorros nem latiram - o   delegado assoviou admirado - Foi um crime brilhante!

  Ao ouvir isso, cada um dos quatro doutores assumiu a autoria do crime,  fornecendo detalhes sobre como o crime fora cometido.

  Sob a luz colorida do camburão. que partia para a DP com os quatro  criminosos confessos, o delegado murmurou para o assassino:

  - Eles lutarão entre eles pelo troféu da culpa.

 - Não espero menos - concordou o assassino.

 - Sei que você é o criminoso.

 - Uma mera faísca - sorriu- ofuscada pela constelação das vaidades.

 

Paffo



Escrito por inquieta às 17h18
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Maria da Constelação     

 

-...mudo não,seu moço!Faço tudo qui  quisé , mais meu nome,mudo não!

-Nunca vi mulher da vida com esse nome.Tem dó!

Sacudia a cabeça,rindo muito e dizia pro freguês: - Nome lindo dimais! Troco pur nada!

-Vai ver não sabe nem o que é isso.

-Sei, sim sinhô.Qué dize qui eu sô um montão di estrela junta! Sô puta,mais tumbém sô santa,sô mais di uma.Nunca tô sozinha.Quem é uma só,sofri dimais .

Nasceu pra brilhar. Não aceitava menos que isso. Era a preferida dos clientes do bordel. Dava esmola na igreja, ia à missa no domingo e batia cabeça no congá  em toda quinta-feira.

-Não 'farto' co'as obrigação.Deus foi bão dimais pra mim.Mi deu luz pra dividi.

  

Tania

 

Imagem - Chagall

 



Escrito por inquieta às 17h16
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