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RAPIDINHAS DA OE
 

Rap 12 -  29/3/2006

Ditador – Tânia – O espaço

1- Phla – 9,3

2- Marcelino – 9,1

 

Tudo ocupado


No closet não tinha mais espaço, no armário da cozinha também não, e tampouco no quarto de empregada. Olhou o baú com as roupas dos meninos: cheio. Sob a pia do banheiro não cabia um só suspiro. O sótão, o porão, tão repletos quanto o estômago depois da feijoada. Lembrou-se do cofre, resgatou a senha dos abismos da memória, e o descobriu igualmente ocupado.

As crianças se multiplicavam atrás de cada porta. Sem ter onde enfiar o corpo do marido, Joana deu o último tiro em sua própria cabeça.

Agora nem no meio da sala tem espaço.

 

Phla

 

**

 

Fechado para Moagem


Questão de espaço, meu anjo! Minha pichizinha não agüenta esse pilão negro e duro que você está me apontando. E quer saber? Vá tratando de se vestir, que o monjolo vai parar a moagem por... Antes de acabar a frase, o corpo numanchou a parede. O agressor olhou as mãos ensangüentadas.

Tudo nele era grande.

 

Marcelino

Escrito por inquieta às 00h33
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Rap 11 -  16/3/2006

Ditador – inquieta - Silêncio

1- Marcelo – 9,2

2- Marcelino – 8,7

 

Cotidiano
  
       Não vou demorar, amor (a gravata ficou bem?), é só uma reunião da firma. Depois, um drinque com o chefe. Volto antes da meia-noite.

Ah! já ia esquecendo. Encontrei o Ricardo hoje à tarde. Aquele, lembra? com quem você me traiu no ano passado. Engordou, ele. Arreganhou os dentes amarelados e perguntou por você.
      Ó: os dentes estão aí nessa caixinha de fósforos ao lado do abajur, amarelos. São seus, faça o que quiser com eles.

Um beijo, querida. Volto antes da meia-noite.

(sobre a cama, o cadáver esfaqueado permanece em silêncio)

 

Marcelo

 

**

 

Adorno Silencio



Disseram-me, a lavra da solidão é indolor, deveria ser solitário este meu exílio liquado, não deveria doer, mas o silêncio ainda não se compadeceu, talvez pela sensação de esmagamento no tórax, minha única companhia, não, as mãos latejam, a pressão no globo ocular também veio me ungir, tudo deveria estar quieto, entretanto o zumbido, entretanto gritos entretém-me.

Havia um barco lá em cima, antes de saber-me humano-artesiano, neste momento o silêncio não poderia doer, mas ainda dói, o oceano faz a sua parte, constrange, os tímpanos explodem, o silêncio já não dói tanto, então, os pés amarrados desistiram da verticalidade, o fundo do barco sumiu, meu abdome se rompeu, só agora, escuro, o silêncio não dói, é adorno.

Marcelino



Escrito por inquieta às 00h33
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Rap 10 -  15/3/2006

Ditador – Marcelino - Volte para o lugar de onde você veio.

1- Day – 9,7

2- Marcelo – 9,5

 

Lar

 

Eu tentei novamente.

Fiz o maior esforço. Meu pai ficou exultante.

Almocei com a família aos domingos, fui com meus irmãos (os chatos) fazer inúmeras visitas.

Mas aquele cheiro de sândalo me enjoava, a música suave permitida pelo velho déspota me enojava. Palavras sussurradas, ordens murmuradas, me deixaram louco.

Cadê a cerveja, o pagode, o funk com as cachorras se rebolando doidinhas pra dar?

Cacete!

Mandei meu pai à merda de novo. Coloquei a mochila nos ombros e deixei o lar, não sem antes sentir um aperto no coração ao ver as lágrimas do velho ao me dizer as ultimas palavras: "Lúcifer, meu filho amado. Aqui é o seu lar e estarei te esperando de braços abertos.

Velho sacana.

 

Day

 

**

 

Malebolgia

  

 Fez tudo conforme a avó ensinara: o pentagrama desenhado no chão, as velas de sete dias e os cânticos numa linguagem desconhecida. E, de uma nuvem de fumaça negra, o demônio apareceu. A camisa regata justíssima no abdome globoso; as suíças quase se unindo ao bigode tingido de preto; o medalhão de lata simulando ouro caindo sobre o peito cabeludo, tilintando em assonância com as pulseiras baratas.

E agora ele está lá, sentado na poltrona da sala, com os olhos vermelhos fixos no futebol, sua cerveja e seus gases abdominais, e ela não consegue achar no livro a forma de mandá-lo de volta pro inferno de onde veio.

Marcelo



Escrito por inquieta às 00h32
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Rap 9 -  9/03/2006

Ditador – Segredo

1- Helena – 8,8

2- Marcelino – 8,7

 

Estações

 

Uma Ondina nasceu neste tanque e ninguém acredita.

Sol lavou todo pátio, minha tia decreta: é abril. Quase sempre, parece.

Dezembro esticado, janeiro perdido em janelas.

Fevereiro roubei suas flores, ninguém viu. Sou assim, meio março, ou  abril.

A Ondina me disse umas coisas, mas você não me olha.

Nunca diz o que pensa.

Nem os peixes, a roda, o cavalo do tempo. O seu corpo é de pedra e nem

Sei se me vê, com a boca de água, sobre as folhas, a sombra. Sua boca que

Jorra o murmúrio de sempre.

Faz mal não, vivo assim neste abril.

Olho o tempo que passa.

Tudo  mais é segredo.

 

Helena



Escrito por inquieta às 00h31
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O Tapete de Enoch 

Entenda, mulher.

Durante tantos anos imaginei o segredo perdido. Fui ao templo, orei, busquei a resposta até nas equações do sistema solar.

Estava onde menos imaginei.

Aqui, sob a etiqueta, escrita pelo próprio Enoch. Leia e diga se não tive razão para fazer o que fiz.

Não havia outra saída.

Este é o único lugar possível para se manter a energia do tapete

Entenda, sem a luz do sol, as qualidades mágicas não se sustentam.

Não me convinha o sentimento mórbido?

Por acaso deveria eu assistir inerte a destruição de tudo que nos resta?

Eram culpados, sim. Construíram as torres.

Hoje vamos voar, querida.

Em alguns minutos a luz do nascente cingirá o tapete de Enoch.

 

Marcelino



Escrito por inquieta às 00h31
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Rap 8 -  10/2/2006

Ditador – Leila - comida

1- Marcelino – 9,8

2- Helena – 9,5

 

Profissão de Fé

Ao nascer do dia, Maria terá oito pássaros enterrados sob a cama do menino. Mesmo sem melhoras, ela mantém a esperança de ver o filho subir o monte das oliveiras.

De pé, ante a gaiola, ela recita sua profissão de fé: creio em ti, ave bendita. Toma a doença desse menino. Bica essa maldição e enxota para o inferno esse mal com o teu respirar. Abandona o teu viver benigno e põe as miraculosas meias, prometidas pelo anjo, nas perninhas de meu filho.

Amém.

Dito isso, despeja as sobras da comida do filho na gaiola.

Enquanto a mãe acende o círio e Jesus arrasta as pernas atrofiadas até o fogão a lenha, o pássaro estrila moribundo.

 

Marcelino



Escrito por inquieta às 00h30
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 Rondò

Embrulho apertado no peito, ela calculava menus.

Com um ovo só: farofa, gemada, suspiro?

Sol forte, suor, frutos apodrecidos.

Baque

Aliança na mão, ele xingava: cadela, me fazer de corno,  piranha!... casa em

Angra , lancha particular, casamento marcado.

Sufocava, procurou o remédio no bolso

Baque

Embrulho passeou no ar, se espatifou  no chão quente

- Desculpe, senhora, foi minha culpa, compre outros ovos

- Mas é muito dinheiro!

- Leve isto também. Presente meu.

Entregou a aliança. Saiu livre.

Ela delirava: pasteis, carne assada, camarão

Baque

Cano frio na nuca

- Passa o anel

- Mas de jeito nenhum!

Baque

Tiros, gritos, omelete escorrendo entre o sol violento de verão.

 Helena



Escrito por inquieta às 00h29
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Rap 7 -  21/2/2006

Ditador – Helena - Sorte

1- Marcelelino – 9,1

2- Tânia – 9,1

 

Sendeiro Nutriz

Depois de abandonar a quermesse, os pelicanos e gralhas brancas do carrossel, ainda condenavam o sendeiro por alguns metros. Desse mais duas voltas não ouviria do peito saliente, o baque estrepitoso das fumegantes porções de acalanto. Avaliou a sorte de não ter sucumbido aos cheiros das tortas de nozes, à contração da barraca do beijo.
Durante a marcha pelo canavial, sentiu-se paraninfo da terra; as folhas arriadas viçavam às suas costas.

Ao entrar na choça, ouviu o choro lastimoso da fome. Usando as duas mãos, afastou a quarta e a quinta costela. A criança, cheirando a incenso de sua antiga pele, beiços inchados, puxou um tanto de seu coração e se pôs a sugar.

 

Marcelino

 ** 

Gira, roda, gira 

Blaise, apavorado, percebeu que as Parcas não o atendiam. Sequer o escutavam.. Já havia tentado de tudo. Oferecera mil presentes,fizera chantagens, ameaçando-as com o retorno de Áries, mas de  nada adiantou.

As três mulheres seguiam girando a Roda, sem parar, tecendo e tecendo o fio da sua vida. A roda girava tão lentamente e essa desgraceira toda não iria acabar tão cedo.
Deu de mão num machado que estava ao lado da máquina  e, num único golpe, decepou-lhes as cabeças. Caíram, aos seus pés, com aquela aparência lúgubre, horrorosa, que sempre tiveram.

Respirou aliviado. Bastava girar a roda, rapidamente para posicionar-me no topo e sair do fundo.

Três corpos, decapitados, teciam, teciam, teciam...

 

Tania



Escrito por inquieta às 00h27
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Rap 6 -  17/2/2006

Ditador – Phla –Tema: Telefonema inesperado

1- Rubens – 9,4

2- Leila – 9,4

 

 

É mesmo?
  
Pois não, sim, quem fala? Pastor Miguel? Olha, não tenho interesse, importante pra mim? Tá, o que é? Se começar o sermão eu desligo. Tá, tá, deixa eu ver se entendi direito: meu filho, que eu ainda vou ter, será o anti-cristo, o senhor teve uma visão, um aviso de Deus, que te deu meu número? É isso mesmo? Senhor pastor Miguel, só uma coisinha básica eu sou um travesti 100% operada, meu amor. Acho que o Deus aí da visão se esqueceu de avisar o senhor deste pequeno detalhe anatômico.

 
            Rubens

 

**

 

Tessitura
  

  “Sete anos de pastor Jacó servia Labão...”
  
  Interrompi a leitura e decidi que aquele Jacó era mesmo um jacu. Vai ser besta assim nos quintos dos infernos. Foi eu pensar na palavra besta e o telefone tocou. Era ele, depois de tanto tempo. Sete anos, talvez. Minhas pernas tremeram. Ainda tremiam. Afinal de contas não tinha só Jacó de besta neste mundo, ainda pensei antes de soltar um ‘olá’ bem fraquinho. E, como se sete anos significassem sete dias, ele perguntou: Como tem passado? Bem, agora estou bem. Eu disse sem rancor e sentei-me para escutar Ulisses. Ulisses que um dia pegou sua escova de dentes, uma toalha e foi descobrir o mundo. 
Na parede, meu tapete pela metade.

 

Leila

Escrito por inquieta às 00h26
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